Por que deixamos de ser quem somos?
O paradoxo das marcas que crescem e abandonam o melhor de si
Leia até o final dessa edição para ver algo especial que preparemos 🙂
Lançada há exatos 50 anos, em 1976, "Como Nossos Pais" faz uma crítica à sua própria geração. Este é um fenômeno que não atinge apenas a juventude, mas também a grande maioria das empresas.
Na música, Belchior expressa a dor e a frustração de jovens que, apesar de lutarem por liberdade e mudanças sociais durante a Ditadura Militar, acabaram reproduzindo os mesmos comportamentos conservadores, vícios e a acomodação de seus pais.
“ … minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!”
Se formos bastante sinceros e corajosos, podemos ver esse movimento em nós mesmos e, por consequência, em nossos negócios. O idealismo da adolescência e dos primeiros anos de vida útil vai, aos poucos, sucumbindo à realidade da vida adulta.
O movimento não acontece à toa
Além da esperança e do inconformismo característicos da idade, com todos os hormônios e desejos de independência atuando, jovens têm uma condição propícia para a inovação: muito a ganhar e pouco - ou quase nada - a perder. Essa combinação dá um ar de que tudo é possível e de que vale a pena tentar. Afinal, só pode melhorar.
Isso costuma mudar com o passar do tempo.
É assim também com as empresas jovens, que nascem com o propósito de mudar mercados, educar consumidores, transformar hábitos de consumo… todas elas têm sua dose adolescente aflorando. É lindo ver o propósito gritado aos 4 ventos, os valores estampados em todos os locais.
Tive o privilégio de ajudar a construir dezenas dessas histórias e é realmente inspirador. Com o tempo, como é de se esperar, vem a vida adulta.
O que estou chamando de vida adulta, para alinharmos aqui, são as responsabilidades, boletos, equilíbrio entre trabalho e família, decisões importantes e tudo mais que conhecemos.
Para as empresas, o crescimento também dói
Quanto maior o negócio vai ficando, com mais pessoas envolvidas, mais fornecedores, produção em escala e outros fatores, nascem também as responsabilidades.
As palavras de ordem começam a rodar em torno de eficiência, gestão, indicadores e lucro e, nesse lugar, o conservadorismo também ganha espaço. Já existe algo maior em jogo e já não é prudente as loucuras e atos inconsequentes de outrora.
Nesse ponto você já entendeu que o propósito, os valores e aquele idealismo da juventude agora precisam se adequar e se adaptar às regras de mercado e que isso exige sacrifício de muitas das suas vontades, se quiser crescer.
Aí existem alguns caminhos, frutos de escolhas e prioridades.
Sua empresa pode valorizar e priorizar o lucro acima de qualquer outra variável. É um caminho escolhido em muitos casos, especialmente em bens de consumo e commodities, onde é necessário volume para compensar a margem baixa.
Nesse cenário, propósito e valores quase inexistem e/ou pouco são percebidos. Não é raro encontrar uma cultura tóxica, que valoriza mais números do que pessoas, sempre com foco em volume e conversão;O caminho oposto: a empresa escolhe se manter fiel ao seu sonho grande, inspirada por algo maior. Aqui, o mais comum é o negócio se tornar uma marca de nicho, com produtos de algum valor agregado e que escolhe crescer em outro ritmo.
Também não é raro as empresas que fazem um belo trabalho nesse cenário serem compradas por empresas do primeiro cenário, quando não conseguem mais expandir organicamente com o seu produto e é natural que considerem a expansão de portfólio como uma estratégia;O meio do caminho. Empresas que constroem um negócio baseado em escala, mas impulsionados por um propósito maior e/ou uma narrativa clara, consistente e coerente ao longo do tempo.
Empresas nesse perfil, como a Apple, que sintetizou todo seu posicionamento na frase “Think different!”, tendem a passar por altos e baixos. Quanto mais obedecem ao mercado, mais perdem identidade. Quando voltam à raiz, precisam abrir mão de alguma rentabilidade e assim vão passando pelas turbulências. As poucas que conseguem sobreviver, se tornam o pináculo do universo de posicionamento.
A transição precisa acontecer
Quanto mais cedo chegarmos à vida adulta, melhor. Significa que estamos crescendo e colheremos bons frutos. Essa transição, no entanto, não precisa ser traumática.
A definição de posicionamento, por si, já ajuda nesse processo.
Posicionamento é diferenciação, é a sua capacidade de ser único e fazer com que essa identidade encontre uma audiência disposta a valorizar o seu ponto de vista e a forma como você vê as coisas.
É preciso descobrir o que é (às vezes nós mesmos não temos clareza e é por isso que eu tenho um trabalho), comunicar isso de forma correta e entender como transformar isso em desejo, margem e lucro.
O sonho vende, mas não paga conta sozinho.
Faça sentido antes de fazer barulho.
Falando em transição e propósito…
É cada vez mais comum vermos executivos buscando algo que lhes faça sentido. As cobranças, a solidão do topo, o preço que se paga estando ausente do convívio familiar… tudo isso vai se somando até a conta ficar alta.
No geral, o desconforto começa por volta dos 40, quando já há alguma estabilidade, algum lastro que permita pensar além do patrimônio e questões como equilíbrio e bem-estar começam a ser mais protagonistas.
Entre 45 e 55 anos, 67,8% dos executivos estão planejando ou já executando sua transição do mercado corporativo para modelos de consultoria, fractional executives, conselheiros ou mesmo empreendendo em alguma iniciativa.
Pensando nisso, nasceu a Imersão Inspyra.
A Inspyra é um ambiente de conteúdo, trocas e construção coletiva entre pessoas que buscam esse movimento de se aproximar dos seus objetivos.
Diferente de quando éramos jovens sem muito a perder, agora qualquer movimento precisa ser bem desenhado e estruturado.
Na Inspyra, vamos trabalhar frameworks de competências, de narrativa e de posicionamento pessoal, ajudando a preparar as pessoas para que se vistam de si e sigam seus caminhos com mais autoridade.
O time de facilitadores desta imersão conta com este que vos escreve, além dos experientes executivos Douglas Almeida e Marcelo Horcel, sócios da Aspyra Mentoria, que trazem a bagagem do universo corporativo e da gestão de pessoas para esse momento.
Além disso, teremos dois painéis incríveis com quem já fez esse movimento, compartilhando suas histórias. Receberemos Rubem Ariano, CEO da Filóo Saúde, e Karina Meyer, ex-CMO da VR e Top 50 CMOs Brasil pela InfoMoney.
A imersão acontecerá nos dias 25 e 26 de setembro, em São Paulo/SP.
Se você acha que essa imersão faz sentido para o seu momento, CLIQUE AQUI e me mande uma mensagem para conversarmos.
A seleção dos participantes é individual para garantir a melhor diversidade de experiências possível.
Nos vemos em breve!


